sábado, 20 de abril de 2013

Redução da maioridade penal, uma péssima ideia.


Faz tempo que eu não tento abordar um assunto realmente polêmico, admito que estava tentando evitar ao máximo aquelas discussões intermináveis com pessoas me chamando de idiota, mas o dever me chama, e eu realmente quero falar sobre isso.

Enfim, acho que todos estão cientes da morte do estudante universitário Hugo Deppman, que foi assassinado mesmo depois de ter entregue o celular. Foi uma situação foda, que comoveu todo mundo, até eu fiquei meio assim porque também sou estudante universitário, podia ter sido qualquer um ali. Mas o que realmente garantiu a repercussão do caso foi o fato do assaltante estar a poucos dias de completar 18 anos e, portanto, seria julgado como menor. E o que acontece sempre quando um menor se envolve com crimes violentos? Se você pensou no mimimi de diminuição da idade penal, acertou.

Não é possível que só eu perceba manipulação e sensacionalismo descarado ali, a mídia tá se usando de um momento de comoção pública para descer uma ideia (e uma ideia ruim) goela abaixo do povo. As pautas dos programas de televisão parecem ter saído de uma daquelas máquinas automáticas pensadas por George Orwell, todo ano as mesmas discussões baseadas em notícias sempre parecidas, eu simplesmente não consigo assistir televisão aberta sem ficar entediado.

Mas vamos falar da discussão em si, e porque eu acho essa história de diminuição da idade penal uma má ideia:

Pra começo de conversa, aquela história de que essa medida combate a violência não passa de uma mentira deslavada, pois segundo dados da fundação casa (antiga FEBEM), crimes violentos praticados por menores constituem pouco mais de 1% das internações (eu to somando homicídio com assalto). A imensa abordagem da mídia nos poucos casos violentos costuma dar a impressão de que o problema anda aumentando quando isso não é verdade, então não pense que você e sua família vão poder andar seguros de noite só porque tão prendendo adolescente adoidado. Isso sem contar que boa parte dos crimes violentos possuem contexto (jovens assaltando por estar sendo ameaçados de morte por traficantes, por exemplo).

E não venham me dizer que as pessoas pobres se envolvem com crime por “falta de vergonha na cara” só porque vocês vivem em um mundinho separado, em algumas comunidades o crime organizado é praticamente um governo à parte, é difícil ir contra pessoas que podem invadir a sua casa a qualquer momento. Vocês jovens e senhores que perderam o celular em um assalto, não saiam dizendo que “se fosse pobre não se meteria com o crime”, porque você não vive nessa  realidade para saber como as coisas funcionam de verdade.

Outra coisa, a cadeia brasileira faz tudo, menos ressocializar os presos, já tinha comentado no meu texto sobre o Jair bolsonaro mas não custa repetir: além de sofrerem maus tratos e “aprenderem” um pouco mais sobre violência, a cadeia ainda deixa um estigma dificílimo de tirar. Ninguém quer contratar um ex-detento para trabalhar, eles ficam com menos oportunidades ainda e acabam voltando a praticar crimes (nas prisões brasileiras, 60% dos presos acabam voltando). A redução da maioridade penal só ia servir para lotar ainda mais os presídios, piorando as já péssimas condições do lugar e perdendo de vez um monte de jovem que poderia retornar para a sociedade.

E, por pior que seja a fatalidade do jovem Deppman, não dá pra dizer que casos como o dele são, nem de longe, comparados com o número de mortes que a violência policial gera ano após ano com jovens negros e de baixa renda. Vamos deixar a hipocrisia de lado, além de estudante,  ótimo filho e amigo leal, Hugo deppman também era da classe média, e esse último item pesou muito para existir tamanha repercussão. Na sociedade regada pela tal da “meritocracia”, passa-se a impressão de que a vida de um único rapaz com condições valha mais do que centenas de pessoas mortas dia após dia nas favelas.

Fora que, tratar a violência juvenil como um problema “principal” é babaquice, é como tentar curar pneumonia com remédio para febre, tu não tá resolvendo o problema, simplesmente está tratando uma consequência. O sistema de exclusão e de péssima distribuição de renda, que aliena e esquece a maior parte da população, esse sim precisa ser tratado, do contrário, adultos e jovens violentos vão continuar aparecendo, não importa quantos queiram prender. A única mudança efetiva vai ser cadeias cada vez mais lotadas e cada vez piores.

Então por favor, senhores que ficam enchendo o saco com mimimi de “se você quer direitos humanos para um marginalzinho, leva ele para casa”, parem por um segundo para pensar que poderia realmente ser o seu filho aí, na sua casa. 

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Marco Feliciano e bancada evangélica



Já falei do Silas Malafaia e sua homofobia, do Jair Bolsonaro e seu ódio por presidiários, não podia faltar nosso lunático presidente da comissão dos direitos humanos né? <3

Sem chover muito no molhado, todo mundo deve saber a situação, o pastor evangélico marco Feliciano foi eleito presidente da comissão de direitos humanos da câmara dos deputados, essa  nomeação se mostrou bastante irônica, visto que o parlamentar já era conhecido por manifestações preconceituosas no twitter (em uma delas dizia que o povo africano é amaldiçoado, em outra disse que deus matou John Lennon).

Em todo o país se fazem manifestações em favor da retirada de Marco da comissão, são feitas passeatas, protestos, abaixo-assinados, e pelo que eu sei nenhuma sessão dele consegue terminar porque sempre acontece alguma gritaria. O que mais tá me incomodando em toda essa história é que existem duas forças na contramão dos movimentos, uma que APÓIA o parlamentar, e outra que quer avacalhar o movimento dizendo que ele não é importante.

Ao primeiro, fica a minha pena, apoiar marco Feliciano para mim é quase tão ruim quanto apoiar Jair Bolsonaro (e olha que eu conheço gente que apoia os dois), é sinônimo ou de um conservadorismo babaca ou só de burrice mesmo. Esqueci de salvar a imagem que eu vi, mas vi uma pessoa na minha timeline comemorando, dizendo que estávamos no rumo de uma JESUSCRACIA. (pra mim já deu!)
Agora para as pessoas que ficam dizendo que tem muita coisa mais importante para se protestar, aqui vai:

Pra começo de conversa ele não é tão desimportante assim, marco Feliciano presidindo qualquer coisa é só uma amostra do poder que a bancada religiosa tá ganhando, e isso pode travar várias discussões importantes (como a dos direito dos homossexuais), o conservadorismo tá crescendo de uma forma preocupante, e eu acho MUITO válido acabar com a festa desse lunático.

Mesmo que ele não fosse tão importante assim, ainda assim defenderia os protestos, porque problemas pequenos também deveriam ser mais fáceis de resolver, e se dá pra resolver, porque ignorar apenas sob o argumento de que existe mais com o que se preocupar? Porque se depender do que as pessoas dizem, sempre só vão existir duas categorias de problemas: os pequenos demais para se preocupar e os grandes demais pra se resolver.

Não é de hoje que a bancada evangélica tem ganhado um espaço considerável na câmara e no senado, a cada nova eleição mais e mais pastores ocupam cargos políticos. É compreensível, quando se leva em conta que a igreja evangélica é a denominação que mais cresce no país, o problema é quando crenças são colocadas no meio de assuntos do interesse público, pois geralmente onde há muita religião, também há muito anacronismo.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Aprendi que (2) ...sobre lares, amigos e distância



Casa, lar.
À quase três anos tive quase certeza que essas palavras tinham sido arrancadas da minha vida, fui arrancado da minha cidade natal contra a minha vontade, deixando amigos, amores e lembranças para trás. Por algum tempo vivi meus dias tentando repetir aqui a vida que tinha lá, terminei descobrindo que nada mais seria como era antes.

Depois passei a viver  em função de minhas viagens de volta, nas férias. Pensava que assim tudo ficaria certo, teria a mesma vida, em um número limitado de dias, usando os outros apenas para garantir que minhas viagens dessem certo. Cada vez que voltava, meus amigos tinham conhecido pessoas que eu não conheci, e senti a cada vez que pertencia um pouco menos àquele lugar.Fiquei triste, como alguém que não tem nem pra onde ir nem pra onde ficar.

Hoje posso dizer que aprendi com o tempo, aprendi que a vida muda, mas que a gente não pode agir na contramão das mudanças.

Aprendi que meus melhores amigos vão fazer grandes amizades sem mim, mas que isso não significa que serei esquecido.

Aprendi que não dá para procurar pessoas novas que satisfaçam sua velha zona de conforto, mas que isso não significa que você pode encontrar abrigo em gente diferente.

Aprendi que “mudar” não é uma premissa para fazer amigos em um lugar diferente.

Aprendi que você não pode esperar ter o mesmo número de amigos em outro ambiente, mas deve ficar feliz em não estar sozinho, acima de tudo. Companhia não tem nada a ver com quantidade.

Aprendi que é impossível esquecer de onde você veio, do mesmo modo que é impossível para o lugar que veio esquecer de você.

Aprendi que amor é um sentimento que não sai de você, você só escolhe a melhor pessoa para direcioná-lo. E que é sempre possível amar de um jeito que você nunca tinha amado antes.

Enfim, aprendi que você não precisa se desfazer do passado para viver mudanças. 

Acima de tudo, aprendi que lar é um conceito que se constrói, e é possível ter mais de um , posso dizer com alegria que tenho dois :)
J

quarta-feira, 27 de março de 2013

humor controverso?



Quem acompanha o meu blog ou simplesmente conversa comigo com frequência sabe o como eu defendo o humor em todas as suas formas, desde filmes de humor britânico até stand-ups americanas daqueles bem pesados. Também sabem que eu sou de argumentar que existe um exagero por parte de algumas pessoas em atribuir maldade à algumas piadas fora de contexto. Mas dá pra defender o senso de humor de pessoas que compartilham (para zoar) a imagem de uma menina que não depila as sobrancelhas? Não dá, porque isso não é senso de humor, é só maldade.

Na contramão de fundamentalistas puritanos do politicamente correto, tá crescendo (e muito) o espaço para websites, páginas de facebook e vídeos que vão além do politicamente incorreto e do humor negro. Por um tempo, achei que se tratava de alguma “resistência” à censura do humor na internet, mas se foi isso mesmo, já passou dos limites faz muito tempo. Páginas que se intitulam “humor controverso” não fazem muito mais do que mostrar gente morta/morrendo/doente/”feia”, pegam uma criança com síndrome de down e colocam a legenda “chama o GM, o servidor tá bugado”.

Para mim algumas piadas servem para “rir para não chorar” de algumas adversidades da vida, mas não quando tu simplesmente pega a imagem de um feto abortado no chão com a legenda “esse dia foi loko”, não existe aquilo que eu chamei em um texto antigo de  “relação entre amigos que zoam”, é só bullying e maldade travestida de ousadia. A diferença entre isso e você zoar um negro ou um gay (eu sei que também é ruim), é que pelo menos negros e gays tem capacidade de se defender. Fora que é um humor fraco por si só, qual é a graça de pegar a foto de uma pessoa com uma “mononcelha” e só dizer “HAHAHAHAHAHAHA OLHA COMO ELA NÃO SE DEPILA”?

Você, que acha que está sendo rebelde enquanto zoa uma criança com doença mental, vou te contar um segredo, você não tá revolucionando nada, é tão preconceituoso quanto costumam ser, a única diferença é que você quer esfregar isso na cara dos outros. Quer ser diferente? Mostre compaixão e respeito, porque é esse tipo de atitude que tá faltando. 

Relações de trabalho- alguem vale menos do que você?

"operários" de Tarsila do Amaral (eu sei que o contexto da obra fala de fábricas , mas eu acho que a ideia de massificação do indíviduo pode ser interpretada da mesma forma


Cara, eu me sinto muito mal quando alguma pessoa trata outra como lixo baseado na sua profissão. Sabe quando alguma pessoa da sua família grita com a empregada ou quando alguém passa e joga lixo no pé do gari na rua? Não sei porque, mas nunca lidei bem com isso, e não quero que ninguém ache que só to falando para parecer uma pessoa boa.

Para mim, a sociedade é um grande organismo vivo que depende das funções que cada indíviduo realiza. Tudo bem que algumas pessoas ganhem mais dinheiro porque passaram mais tempo se especializando em uma determinada área, mas isso não a faz melhor que ninguém, porque a profissão “gari” é tão útil quanto à profissão “médico”. Se todos os garis/faxineiros sumissem do mundo e ninguém mais desempenhasse as suas funções, em pouco tempo os lugares virariam chiqueiros, propensos a todo o tipo de doença, o que poderia desencadear uma epidemia no estilo de qualquer uma da idade média.

Acho que ninguém é superior ou inferior quando se fala de relações de trabalho, se você trata subalternos como pessoas que valem menos, você é um idiota. Se um dia eu tiver empregados, espero tratá-los como amigos que executam funções que eu não sei/não tenho tempo de fazer. Porque é isso, não importa se você é um médico, advogado, engenheiro ou o que quer que seja, ninguém é auto suficiente e ninguém faz tudo sozinho, portanto, comece a tratar todos a sua volta com o devido respeito.

domingo, 10 de março de 2013

Resenhando



Quando soube que o trabalho final (e único) da disciplina seria uma resenha de livro, confesso que fiquei até um pouco aliviado, quero dizer,  eu só precisava ler um livro e escrever alguma coisa sobre ele. Mas a cada dia que passava, eu percebia que era uma tarefa mais difícil do que aparentava.

Para deixar a coisa mais didática, eu vou dividir o processo de confecção da resenha em quatro partes.
1.       
     Escolha do livro.
Parece brincadeira, mas deve ter sido a parte que mais me deu trabalho, tem gente que reclama quando professor coloca muita regra, mas quando “pode ser qualquer coisa”, fica difícil saber por onde começar.  Passei um longo tempo tentando decidir  um bom livro, e parecia que o mundo estava conspirando contra mim.

Não me interessei por quase nenhum livro e, quando algum chamava minha atenção, não batia com a única exigência (ter sido publicado em 2012). Depois de muita procura que realmente comecei a me interessar por alguma coisa.

O Primeiro livro que fiz resenha se  chamava “liberdade de expressão X liberdade de imprensa”, e eu realmente achei que seria interessante falar sobre a minha área, mas o livro era cheio de artigos universitários que eu mal entendia. Depois resolvi ler um épico brasileiro chamado  “a batalha do apocalipse”, que um amigo meu tinha dito que fora lançado esse ano,  adorei o livro, até descobrir que na verdade ele tinha sido publicado em 2007.

Depois, comprei o livro “barba ensopada de sangue”, porque tinha sido um livro aclamado pela mídia, mas eu sinceramente NÃO CONSEGUI TERMINAR DE LER, achei o livro chato para caramba, e olha que eu gosto de ler. Por fim, descobri que o Veríssimo tinha lançado um livro, e com Veríssimo não tem erro, nunca vi ele fazer nada ruim. (eu sei que eu podia falar de um livro ruim, mas o problema é que fui incapaz de terminar aqueles).

2.       Ler o livro.
Por ser um livro relativamente pequeno, acabei protelando bastante a sua lida, tentando ler uma ou duas por dia antes de dormir. Não tem muito o que falar sobre isso.

3.       RELER o livro.
Tentei  começar a resenha logo após terminar o livro, mas me vi incapaz de escrever qualquer coisa que seja sem reler. É difícil escrever a resenha sem reler o livro porque, numa primeira leitura, o meu foco se concentrou mais na narrativa (e no humor) do que nos discursos envolvidos e a forma com que eles foram construídos. Reler o livro é muito importante para se elogiar/criticar/dissertar com categoria.

4.       Escrever (de fato) a resenha.
Comparado com as três primeiras partes, a última seria moleza. Não foi porque o professor estipulou que deveria ter QUATRO folhas no mínimo. Eu consigo me expressar bem com poucas palavras, mas desconhecia um modo de escrever tanto sem “encher lingüiça”
tentei ler mais sobre o autor e sobre a maneira que ele escreve, bem como relações entre os temas que são abordados nas crônicas com temas da atualidade.

Enquanto escrevo esse relato, ainda falta pouco menos de metade das quatro folhas para terminar, espero conseguir até o final da semana.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Maresia, Terapia




Acho que todas as pessoas do mundo, sobretudo as arrogantes, deveriam reservar um espaço na própria agenda para sentar na areia da praia e olhar para o mar. As ondas que vão e vem, enchendo e esvaziando a maré, combinadas com um horizonte infinito que te engole.

Segundo os livros, o mar só começou a ser conquistado por volta do século XV, mas isso é o que diz a teoria, na prática ele  nunca foi dominado por ninguém, continua selvagem, continua imponente. Experimente tentar mudar o fluxo do oceano e verá que sua força não significa nada para  ele, a resistência humana  a uma mera onda se assemelha a de uma formiga sendo pisada.

As pessoas são, sim, inúteis perante as forças naturais que as cercam, mas qual o problema? O mundo não  intimida, o mundo  acolhe, protege.  Na próxima vez que tiver a oportunidade de ir em uma praia, sente-se e encare o horizonte, não lute contra a imensidão, passe a aceitá-la. Perceba que o infinito que te cerca não te pisa, pelo contrário, te envolve de maneira semelhante à um abraço confortante, que é, muitas vezes, tudo de que uma pessoa precisa.